Por que se produziu a ‘Operación Jaro’?

Jaro1   O Ministerio de Interior está totalmente consciente de que as nove pessoas detidas na Operación Jaro estám desligadas da prática da luita armada. Os permanentes seguimentos policiais a que fumos e somos submetidos e os registos praticados nos nossos domicílios assim lho corroboram, embora os masss mídia da Banca preferissem reproduzir a nota ministerial, situando-se mais umha vez como porta-vozes da intoxicaçom policial.

   Qual é, entom, a “razom de ser” da operaçom? Da nossa ótica há dous factos fulcrais que som o pano de fundo do que acontece: o bloqueio definitivo por parte do Estado da via estatutária em que muitos nacionalistas acreditárom no passado para avançar gradualmente face a soberania nacional e o processo de recentralizaçom administrativa, económica e financeira em curso, que lamina qualquera ensonhaçom de “auto-governo” no marco constitucional espanhol e força muitas e muitos a repensar as suas velhas estratégias.

   Hoje, os núcleos nacionalistas mais avisados sabem que a perspetiva do beirismo, e de importantes setores da direçom e a militáncia do BNG, que apostam numha reforma “que democratice o regime e respeite a plurinacionalidade”, é política-fiçom. Aliás, cresce o entendimento geral, e ainda desorganizado, de que a única soluçom possível à nossa questom nacional é um processo independentista unilateral concebido a meio e longo prazo. Esta realidade origina, em parte, da nossa ótica, a crise do nacionalismo tradicional e motiva o golpe preventivo, público e exemplarizante, dado à posiçom independentista, utilizando como chibo expiatório umha modesta organizaçom que apostava sem ambigüidades nesta perspetiva.

Causa Galiza   Isto é o que procura a Operación Jaro: neutralizar, em origem, quando ainda é fatível, as tendências subjazentes que apontam para umha maior consciencializaçom e empoderamento independentista neste país e se desenvolvem lenta, e inexoravelmente, em setores crescentes do povo e, em especial, da juventude. A meio prazo, o objetivo da repressom é impedir que num país tam lucrativo para a oligarquia espanhola como a Galiza se abra a terceira frente junto a Euskal Herria e os Països Catalans das luitas independentistas no Reino de Espanha.

   Criminalizar-nos, desgastar-nos por via policial, económica, judicial e carcerária, constranger-nos a um bucle irresolúvel em que a resposta à repressom se torna a única ou principal atividade política, inocular pánico à militáncia real e potencial e modelar o mapa político deste país com o cinzel da Guardia Civil, impossibilitando a construçom dum projeto político independentista amplo e popular som as vias atravês das que Espanha trata de abortar os citados processos de fundo. A Operación Jaro responde a estas chaves.

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