Publicamos as comunicaçons lidas onte ao remate da manifestaçom polo arquivo do sumário da ‘Operación Jaro’


Muriel Tobio.png Como informavamos na notícia anterior, duas comunicaçons fôrom lidas onte ao remate da manifestaçom nacional convocada por 71 entidades sociais, sindicais e políticas. A primeira, de apresentaçom do ato celebrado na praça do Toral, a cargo de Cristina Rodríguez, da iniciativa Que Voltem! A segunda, por parte de Ximena González, da associaçom cultural A Galleira de Ourense e de Paulo Tobio, do grupo musical Liska. Anexamos ambas comunicaçons por ordem de leitura.

Comunicaçom de apresentaçom do ato
A cargo de Cristina Rodríguez de Que Voltem!

Cris     Bom dia a todos e todas,

     Quando os nazistas vinherom procurar os comunistas,
     guardei silêncio;
     porque eu nom era comunista.

     Quando encarcerárom os socialdemocratas,
     guardei silêncio;
     porque eu nom era socialdemocrata.

     Quando vinhérom procurar os sindicalistas,
     nom protestei;
     porque eu nom era sindicalista.

     Quando vinhérom procurar os judeus,
     nom protestei;
     porque eu nom era judeu.

     Quando vinhérom procurar- me a mim,
     non havia ninguém mais
     que pudesse protestar.

O poema que venho de ler é dum sermom do pastor luterano alemao Martin Niemoller, que já em 1946 alertava dos perigos de praticar a indiferença e o olhar para outra parte quando a repressom política irrompe brutalmente na nossa quotidianeidade contra pessoas e organizaçons.

Hoje, 61 anos depois, neste regime que formalmente se proclama “democrático”, aquelas palavras som plenamente válidas: o silêncio perante a repressom, por comodidade, por medo, por isso que alguns chamam correçom política, ou porque as afetadas “nom som das minhas, ou dos meus”, é a forma mais rápida de facilitar a consolidaçom da tirania e a sua extensom a cada a mais setores sociais e políticos.

Nesta ocasiom, frente à montagem conhecida como Operación Jaro, que mantém nove militantes galegos e galegas sob a Espada de Damocles do ingresso em prisom, a sociedade galega fijo um gesto de madurez que nunca esqueceremos: demonstrou, por umha vez, ser capaz de respostar como umha soa voz quando os novos bárbaros entram com passamontanhas e a ponta de metralheta nas nossas casas para deter-nos e sequestrar-nos durante dias. Este gesto nom pode ser considerado intranscendente.

Hoje, estamos aqui homes e mulheres dos quatro pontos cardinais da naçom e da prática totalidade das organizaçons sociais, sindicais e políticas que a articulam. Trata-se dum evento que tem algo de “extraordinário”: reunir 70 entidades de todo o tipo que convergêrom por volta da ideia elementar: nom ficaremos em silêncio quando a repressom se trate de cevar em quem reclamam a independência nacional deste País.

Mais nada. Deixo-vos com Paulo Tobio e Ximena González.

Discurso lido ao remate da manifestaçom nacional
A cargo de Ximena González e Paulo Tobio

Amigas e amigos,
companheiros e companheiras,
Organizaçons, partidos, sindicatos, coletivos, centros sociais, plataformas e associaçons que convocades esta manifestaçom nacional,

Bom dia a todas e todos,

Em 1977, quando o regime atual estava ainda em gestaçom, e milhares de galegos e galegas luitavam pola possibilidade da rutura democrática com o franquismo, os poderes fáticos mudavam o nome do temido Tribunal de Orden Público da Ditadura polo de Audiencia Nacional antes da redaçom do novo texto constitucional. As competências do velho TOP passárom em bloco ao novo tribunal de exceçom.

A Audiencia Nacional convertiu-se desde aquela num dos símbolos dessa fraude monumental que para a Galiza foi a Transiçom espanhola: umha mudança superficial para que todo seguisse como sempre.

O velho tribunal fascista, que processara os nossos avós e avoas, as nossas maes e pais, passava a se chamar doutro jeito para fazer o mesmo de sempre nas novas condiçons formalmente democráticas: perseguir e encarcerar dissidentes políticos e castigar a divergência ideológica. Este povo, que é sábio e inteligente, caraterizou magistralmente aquel cambalache dizendo que eram “os mesmos cans com distintos colares” e, massivamente, virou as costas à Constituiçom e o Estatuto de Autonomía nos seus respetivos referénduns. Hoje podemos certificar o acerto daquela intuiçom coletiva.

Em 30 de outubro de 2015, 9 independentistas galegos e galegas vírom assaltados os seus domicílios de madrugada por comandos armados da Guardia Civil apesar de que o seu único delito -se se pode chamar assim- foi trabalhar sem descanso pola independência deste País. Detrás da tropa policial, a mediática, convintemente alicionada, repetindo e multiplicando o discurso do Ministerio de Interior que assegurava que as detidas faziam parte dumha organizaçom ilegal.

Após três dias de detençom, incomunicaçom parcial e interrogatórios políticos num quartel militar a 600 quilómetros da Galiza, a Audiencia Nacional decidia ilegalizar de facto Causa Galiza e iniciar umha imaginária investigaçom por “integraçom em banda armada” e “enaltecimento do terrorismo” contra as suas militantes. Os vimes para justificar a montagem fôrom estrambóticos: celebrar atos de homenagem aos Mártires de Carral de 1846, jornadas de memória histórica independentista e trabalhar na socializaçom da posiçom independentista. Prova da inconsistência deste tinglado foi que, finalmente, a citada organizaçom recuperaria a sua condiçom legal.

Neste mês de abril, remata supostamente esta “investigaçom”. De se manterem as imputaçons atuais, nove patriotas galegas e galegos enfrentariam condenas de 7 a 17 anos de cárcere por fazer política independentista e se organizarem para isso. Existe, também, a possibilidade do arquivo da causa ou, por último, da celebraçom dum juízo que abarque todas ou parte das pessoas encausadas com acusaçons que hoje desconhecemos. Os cenários estám abertos.

A gravidade da situaçom comenta-se por si própria. Já nom só para as pessoas que agora estám no olho do furacám, mas para todas e todos nós, como País, como sociedade, como povo, porque estes acontecimentos delatam um problema político muitíssimo mais profundo e preocupante: a inexistência dum marco real de liberdades democráticas na Galiza e, em consequência, a possibilidade real, constatada na prática, de que militantes e organizaçons sejam perseguidas policial e judicialmente por defender um projeto de País num regime que nom é democrático. Hoje, com mais claridade do que sempre, o neofranquismo, sim, o neofranquismo, que vulnera o nosso direito democrático à autodeterminaçom, que criminaliza, persegue e julga nacionalistas, evidencia que é qualquera cousa agás umha “democracia”.

Agora, estamos aqui, respondendo à convocatória de 70 organizaçons sociais, políticas e sindicais que som expressom viva e organizada deste País, para dizer alto e claro que JÁ AVONDA. Som, efetivamente, os mesmos cans com distintos colares, como soubérom reconhecer os nossos avós e avoas. Som os ladrons da garavata e os corruptos com escritório oficial e posto em conselho de administraçom. Som os que se transformárom de fascistas de toda a vida em democratas de toda a vida sem renunciarem nunca a privilégios e ideologia. Som os que, dia após dia, exterminam a nossa língua, forçam a milhares de galegas à emigraçom e deterioram as nossas condiçons de vida e de trabalho sem mais limite que o da nossa própria resistência coletiva.

Hoje, nesta praça que tantas reivindicaçons ouviu e ouvirá enquanto a Galiza careza de liberdade, nesta manifestaçom multitudinária, queremos lançar ao Governo espanhol, com a força e a legitimidade que dá contar com este amplo apoio e unanimidade social, três exigências elementares:

1ª Reclamamos um marco real de liberdades democráticas inexistente durante décadas de Ditadura e durante décadas de democracia de cartom-pedra.

2ª Exigimos o arquivo imediato e definitivo do sumário aberto no tribunal de exceçom contra nove cidadás e cidadáns deste País por reclamarem o exercício do direito de autodeterminaçom e a independência nacional da Galiza e se organizarem politicamente para alcançá-los.

3º Reivindicamos, por último, o cessamento imediato deste tipo de operativos cuja única finalidade é impedir o crescimento dum estado de opiniom que nom é propriedade de nengum partido ou organizaçom, mas de milhares de galegas e galegos: a possibilidade de a Galiza se constituir num Estado ao serviço da maioria das suas mulheres e homes e superar a ruína que implica a dependência de Espanha.

Rematamos aqui. Somos realistas e, portanto, sabemos que o regime e o Estado espanhóis nom se vam democratizar num futuro imediato. Esta realidade implica desde agora um compromisso coletivo e irrenunciável para as pessoas que aqui estamos: o de respondermos como umha soa mulher, como um só home, sempre que, como agora está a suceder, um cidadám ou umha cidadá deste País seja retaliada por defender os direitos coletivos, a melhora das condiçons de vida e a liberdade nacional e social do nosso povo.

Chamamos-vos a seguir reforçando a Solidariedade e a mobilizaçom contra a violaçom das liberdades democráticas. Nós, como dizia aquel poema de 1946 do pastor luterano alemao Martin Niemöller, que criticava o silêncio atemorizado da gente quando os nazistas vinhérom deter os comunistas, alertamos-vos das consequências do silêncio e do medo frente à repressom. O medo nunca troujo a liberdade. É tempo de levantar as vozes. É tempo de rematar com a persecuçom das ideias e dos projetos políticos.

Bom dia a todos e todas

Viva Galiza ceive!

 

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